Resultz Inspeciona/Blog
Documentação·10 min de leitura·Jun 2025

Documentos obrigatórios para laticínio registrado no SIM

Guia completo dos documentos exigidos em inspeções de laticínios: licenças, laudos de leite cru, registros de pasteurização, rotulagem e controles de processo.

Laticínios e a dupla fiscalização: SIM + MAPA

Laticínios registrados no SIM estão autorizados a comercializar apenas no município de origem. Para comercializar em todo o estado, precisam de habilitação no SISBI/POA; para comércio interestadual, do SIF (MAPA). Esta lista foca nos documentos exigidos pelo SIM e SISBI — se você tem SIF, consulte também o Decreto 9.013/2017 e as normas específicas do MAPA para leite e derivados.

A peculiaridade dos laticínios em relação a outros segmentos é que o controle se inicia antes da portaria da empresa — a qualidade do leite cru recebido influencia diretamente o produto final e é fiscalizada junto com os processos internos.

IN 76 e IN 77 do MAPA: a Instrução Normativa 76 (padrões de identidade e qualidade do leite) e a IN 77 (produção, identidade e qualidade do leite) são as referências federais. Mesmo para SIM, a maioria dos regulamentos municipais adota os parâmetros dessas normas. Verifique se seu município tem regulamento próprio mais restritivo.

Documentos de funcionamento (estabelecimento)

1. Licença Sanitária de Funcionamento

Específica para laticínios — a licença deve indicar os produtos autorizados (leite pasteurizado, UHT, queijos, iogurtes, etc.). Qualquer novo produto precisa de nova aprovação antes da comercialização.

ItemDetalhe
Validade1 ano (renovação anual)
Antecedência recomendada60 dias antes do vencimento
AtençãoProdutos não listados na licença = NC imediata

2. Registro no SIM

Certificado de habilitação para laticínio emitido pelo SIM municipal. Para SISBI, o certificado estadual de habilitação. Esses documentos não têm validade, mas podem ser suspensos por descumprimento de requisitos.

3. Responsável Técnico — CRMV ativo

Médico veterinário ou engenheiro de alimentos com registro ativo no conselho profissional do estado. Contrato ou vínculo atualizado. Para laticínios com processamento térmico (pasteurização, UHT), a presença de RT com registro ativo é requisito de funcionamento — a ausência resulta em paralisação.

Controle de matéria-prima: o leite cru

4. Laudos de qualidade do leite cru recebido

A IN 76/2018 do MAPA estabelece parâmetros máximos de CBT (Contagem Bacteriana Total) e CCS (Contagem de Células Somáticas) para o leite cru recebido. O laticínio deve manter registros das análises do leite recebido, e os laudos laboratoriais periódicos são exigidos em inspeção.

ParâmetroLimite (IN 76/2018)Frequência mínima de análise
CBT (Contagem Bacteriana Total)≤ 300.000 UFC/mLMensal por produtor
CCS (Células Somáticas)≤ 500.000 CS/mLMensal por produtor
Resíduos de antibióticosAusênciaEm cada coleta (teste rápido) + mensal (lab)
Temperatura de chegada≤ 7°C (em tanque) ou ≤ 10°C (em latão)Em cada recebimento

5. Registros de recebimento de leite cru

Cada recebimento deve ser registrado com: data, hora, volume recebido, temperatura de chegada, resultado do teste rápido de antibiótico, identificação do produtor/lote. Esse registro é o início da rastreabilidade do produto final.

6. Contratos e laudos dos fornecedores de leite

Para fornecedores fixos (granjas leiteiras, cooperativas), o laticínio deve ter os laudos semestrais de brucelose e tuberculose do rebanho quando exigidos pelo regulamento estadual. A BPA (Brucelose e Tuberculose Bovina) dos produtores fornecedores protege o laticínio de responsabilização por produtos derivados de rebanhos não testados.

Documentos de processo

7. Registros de pasteurização (quando aplicável)

Para leite pasteurizado e produtos que exigem tratamento térmico, o registro de cada lote processado é obrigatório. O registro deve incluir: data, hora, volume, temperatura de pasteurização atingida, tempo de retenção, operador responsável.

Tipo de pasteurizaçãoTemperatura / Tempo exigido
HTST (Flash)72–75°C por 15–20 segundos
Lenta (Low Temperature)63–65°C por 30 minutos
UHT130–150°C por 2–4 segundos

O pasteurizador deve ter termógrafo ou datalogger funcionando, com gráfico arquivado por lote. A calibração do equipamento de controle de temperatura é exigida com certificado vigente.

8. Registros de controle de fermentação (iogurtes, queijos)

Para produtos fermentados, o registro de pH, temperatura de fermentação e tempo é exigido por lote. O certificado de análise do fermento (cultura starter) com laudo de pureza e atividade deve estar disponível quando o inspetor solicitar.

9. Controle de câmaras de maturação (queijos)

Temperatura e umidade relativa das câmaras de maturação devem ser registradas diariamente. Termômetros e higrômetros devem ter calibração vigente. Para queijos com maturação mínima exigida (ex: queijo de coalho artesanal — 10 dias mínimos na IN 30/2013), o registro de entrada e saída por lote comprova o cumprimento do prazo.

Documentos de qualidade da água

10. Laudo de potabilidade da água

Para laticínios, a água é ingrediente do produto (em muitos casos) e agente de higienização de todos os equipamentos em contato com leite. A criticidade é maior do que em outros segmentos.

ItemExigência
Frequência mínima de análiseSemestral (Portaria MS 888/2021)
Parâmetros mínimosMicrobiológicos (E. coli, Coliformes totais) + físico-químicos
Ponto de coleta recomendadoPonto de uso (torneira da área de processo)
Para uso no produtoParâmetros adicionais conforme IN 76 e regulamento local

11. Registro de controle de cloro residual

Cloro residual livre verificado e registrado diariamente na entrada e nos pontos de uso. Laticínios que usam água de poço ou cisterna têm exigência mais frequente de controle e laudo microbiológico.

Documentos de produto acabado

12. Rótulos aprovados pelo SIM

Cada produto e apresentação precisa de rótulo aprovado. Para laticínios, o rótulo deve conter as informações exigidas pela RDC 429/2020 (rotulagem de alimentos) e pela IN 76 (para leite e derivados). Atenção especial a:

  • Denominação correta do produto (conforme padrão de identidade da norma aplicável)
  • Composição detalhada (para queijos: tipo de leite, tipo de coalho, adicionados)
  • Informação nutricional (obrigatória para todos os produtos embalados)
  • Alergênicos (lactose e caseína para derivados lácteos)
  • Identificação do SIM no rótulo
  • Condições de conservação e temperatura de armazenamento

13. Laudos laboratoriais de produto acabado

Análises microbiológicas e físico-químicas do produto acabado conforme parâmetros da IN 76 e RDC 331/2019. Para leite pasteurizado, análise por lote de fosfatase alcalina (negativa = pasteurização eficiente) e peroxidase (positiva = não superaquecido) é exigida ou fortemente recomendada como controle interno.

Documentos de controle higiênico-sanitário

14. Laudos de controle de pragas

Contrato ativo com empresa licenciada, laudos de cada aplicação arquivados. Frequência mínima de desinsetização: semestral. Monitoramento (sem aplicação) pode ser mensal para laticínios com volume maior.

15. Atestados de saúde dos manipuladores

Admissional e periódico anual para todos os manipuladores. Para laticínios, o atestado deve incluir exame de tuberculose (PPD ou radiografia de tórax) por regulamento de vários estados, dado o contato com leite cru.

16. Registros de treinamento

BPF/BPH, higienização de equipamentos, controle de temperatura — ao menos anual, com lista de presença assinada e arquivada.

Resumo por frequência de renovação

Anual

  • Licença Sanitária de Funcionamento
  • Alvará de Funcionamento
  • Calibração de termômetros, termógrafos, balanças
  • Atestados de saúde dos manipuladores
  • Treinamento BPF da equipe

Semestral

  • Laudo de potabilidade da água
  • Desinsetização/dedetização
  • Laudos microbiológicos do produto acabado (mínimo — muitos SIMs exigem trimestral)

Mensal

  • CBT e CCS do leite cru por fornecedor
  • Laudos laboratoriais de antibióticos (complementar ao teste rápido diário)
  • Monitoramento de pragas

A cada lote / contínuo

  • Registro de recebimento de leite cru (temperatura + teste antibiótico)
  • Registro de pasteurização por lote
  • Temperatura de câmaras (diário)
  • Cloro residual (diário)

Queijos artesanais e SIM: para queijos artesanais de leite cru (como Minas Artesanal, Coalho, Serrano), a regulamentação é específica por estado. O MAPA publicou orientações sobre a compatibilização entre os padrões de identidade e as normativas estaduais — verifique se seu produto se enquadra antes de rotular como "artesanal" sem aprovação específica.

Perguntas frequentes
—Quais os documentos obrigatórios para um laticínio registrado no SIM?
Incluem Licença Sanitária de Funcionamento, registro no SIM, Responsável Técnico com CRMV ativo, laudos de qualidade do leite cru, registros de recebimento e pasteurização, controle de câmaras de maturação, laudo de potabilidade da água, rótulos aprovados, laudos de produto acabado, controle de pragas e atestados de saúde. O controle começa antes da portaria da empresa, com a qualidade do leite cru recebido.
—Quais os parâmetros de qualidade exigidos para o leite cru?
A IN 76/2018 do MAPA estabelece CBT de no máximo 300.000 UFC/mL e CCS de no máximo 500.000 CS/mL, ambos com análise mensal por produtor. Também são exigidos ausência de resíduos de antibióticos (teste rápido em cada coleta mais laboratório mensal) e temperatura de chegada de até 7°C em tanque ou até 10°C em latão.
—Como devo registrar a pasteurização do leite?
Cada lote processado deve ter registro com data, hora, volume, temperatura de pasteurização atingida, tempo de retenção e operador responsável. O pasteurizador precisa de termógrafo ou datalogger funcionando, com gráfico arquivado por lote e certificado de calibração vigente. Na HTST são 72 a 75°C por 15 a 20 segundos e na lenta 63 a 65°C por 30 minutos.
—Com que frequência preciso do laudo de potabilidade da água no laticínio?
A frequência mínima é semestral, conforme a Portaria MS 888/2021, com parâmetros microbiológicos (E. coli, coliformes totais) e físico-químicos. Como a água é ingrediente e agente de higienização, a criticidade é maior; laticínios que usam poço ou cisterna têm exigência mais frequente de controle.
—Quais normas regem a rotulagem de produtos lácteos no SIM?
O rótulo deve seguir as informações da RDC 429/2020 e da IN 76 para leite e derivados, com atenção à denominação correta, composição detalhada, informação nutricional, alergênicos (lactose e caseína), identificação do SIM e condições de conservação. Cada produto e apresentação precisa de rótulo aprovado.

Baixe o Calendário Anual de Laudos e Renovações para SIM

Planilha imprimível com todos os documentos obrigatórios, suas periodicidades e um mapa de vencimentos mês a mês. Preencha uma vez e nunca mais seja pego por um laudo vencido na inspeção.

Gratuito. Sem spam. Cancelamento a qualquer momento.

Resultz Inspeciona

Autocontrole e documentos da indústria de alimentos.

  • Checklist de autocontrole no celular
  • Alerta antes de cada documento vencer
  • Registros prontos para a fiscalização
Criar conta grátis →Falar no WhatsApp

R$ 1.600/mês por estabelecimento